Patrick Head
Um dos fundadores e co-proprietário da Equipe Williams, Patrick Head divulgou nesta quarta-feira, dia 5, as expectativas da escuderia para a temporada 2008 da Fórmula 1. Ele reconheceu o avanço das escuderias Ferrari e McLaren em relação a 2007, mas afirmou que a Williams trabalha para freqüentar os pódios em 2008. Na temporada deste ano, a Williams utilizará um novo carro, o FW30. Os pilotos da escuderia na temporada serão Nico Rosberg e Kazuki Nakajima. O combustível da escuderia (este ano com utilização de biocombustível, atendendo regulamentação da FIA) continuará sendo fornecido pela Petrobras, fornecedora da Williams desde 1998. A temporada 2008 da Fórmula 1 começa no próximo dia 16, com o Grande Prêmio da Austrália.
A equipe parece ter alcançado bons resultados em seus testes de inverno. Quais suas expectativas para a nova temporada?
Queremos continuar nossa recuperação, de um ponto muito baixo em 2006, para voltarmos a estar entre as equipe líderes, sempre bem posicionada para vencer as corridas e o campeonato.
A imprensa está especulando que a Williams pode estar entre as líderes, atrás apenas da Ferrari e da McLaren este ano. Isto é realístico?
É cedo demais para especularmos qual posição ocuparemos na ordem hierárquica. Parece que a Ferrari e a McLaren fizeram grandes avanços em comparação com 2007, já a BMW tem um carro que parece ser rápido e a Renault fez progresso, parte do qual estou certo derivar do fato que o Alonso está de volta no leme. A Red Bull parece estar se fortalecendo e a Toro Rosso está fazendo o melhor que pode com um carro com o qual tem familiaridade. Elas não podem ser desprezadas. Certamente fizemos avanços, mas não poderemos ver aonde chegamos até depois do início da temperada.
Quais melhorias foram feitas no FW30, em comparação com o FW29, e de que forma o novo carro difere, do ponto de vista técnico, de seu predecessor?
O FW30 é um avanço no tema do FW29, embora as instalações de refrigeração sejam muito diferentes. É claro que o carro também foi beneficiado por praticamente nove meses de desenvolvimento aerodinâmico com base no FW29 original, apesar de algumas alterações terem sido aplicadas durante o desenvolvimento do FW29 ao longo de 2007.
A equipe terminou o campeonato do ano passado em quarto lugar, uma grande melhoria em comparação com 2006. É possível prever uma briga pelo campeonato daqui a duas ou três temporadas?
Nunca projetamos um carro para ficarmos em quarto! É lógico que estamos sempre desenvolvendo os projetos para alcançarmos a colocação mais alta quanto possível, e, assim, o resultado depende de nossa capacidade relativa na época. Embora Nico esteja iniciando sua terceira temporada na F1, Kazuki está apenas em sua primeira, de forma que a equipe de pilotos não terá tanta experiência quanto poderia se esperar para uma equipe que está competindo para ganhar um campeonato. Entretanto, pretendemos chegar ao pódio freqüentemente em 2008. A confiabilidade do carro atual de Fórmula Um significa que essa meta pode ser alcançada com um carro cujo desempenho que se aproxima à performance dos carros de ponta.
Nico está iniciando sua terceira temporada como o piloto da equipe, já Kazuki está estreando. Eles estão trabalhando em conjunto?
Sim, estão. Kazuki está melhorando seu tempo progressivamente, especialmente na simulação de treino de uma volta só usando pneus novos. Acreditamos que Nico será nosso piloto principal, mas Kazuki se defenderá bem.
2008 é um ano de comemoração para a Williams, pois ela alcançará as marcas de 500 GPs e 50 mil voltas em pista em corrida. Quando você fundou a equipe, previa tamanha longevidade?
Acredito que nem eu e nem o Frank pensamos sobre isso. Naquela época, equipes de Fórmula Um apareciam e sumiam rapidamente. Nos cinco primeiros anos de nossa equipe, enfrentamos uma forte batalha financeira para sobrevivermos, mas, por sorte, rapidamente começamos a ganhar corridas e campeonatos, o que reforçou o lado financeiro.
Qual foi a maior mudança que você testemunhou em sua carreira na Fórmula Um?
A escala de atividade mudou muito com o nível de cobertura. Hoje, algumas equipes têm mais de cem pessoas participando de cada corrida, muitas das quais não têm nenhum vinculo operacional com os próprios carros, mas são das áreas de marketing e suporte logístico.
Seu relacionamento com Frank já perdura por mais de 30 anos. Qual a chave para seu sucesso?
Basicamente, Frank e eu temos pontos de vista semelhantes sobre as alegrias dos esportes a motor e cuidamos de partes diferentes do desafio. Eu fico com o lado técnico, enquanto Frank cuida do marketing, das finanças e também dos relacionamentos com nossos principais parceiros, de forma que não tropeçamos um no outro com muita freqüência.
Quando montaram a Williams F1, acreditavam que venceriam 16 Campeonatos Mundiais?
De jeito nenhum, mas ambos queríamos chegar até onde desse.
Se pudesse identificar com precisão um elemento principal que levou a equipe a alcançar esse nível de sucesso, qual seria?
Orientação consistente de cima para baixo, um entendimento de que a F1 é, essencialmente, um problema técnico e organizacional, além de uma visão do quanto dependemos das habilidades e do entusiasmo de nossos colaboradores.
Das 500 corridas, qual foi a mais gratificante?
Vencer corridas é gratificante, mas é isso que buscamos fazer, então não vencer é falhar na tarefa. Uma vez encerrada cada corrida, Frank e eu sempre acabamos pensando sobre o futuro.
Finalmente, quais suas previsões para a temporada 2008 como um todo?
Que as corridas serão disputadas principalmente entre a Ferrari e a McLaren, como em 2007, que pelo menos uma corrida será vencida por uma terceira equipe e que a Williams fará muitos avanços em comparação com 2007.