Petrobras na F1
- Tecnologia a toda prova
- A gasolina da Fórmula 1
- As especificações
- O desenvolvimento da gasolina
- Conclusões
Tecnologia a toda prova
As equipes de Fórmula 1 dedicam muita pesquisa para maximizar o desempenho de cada componente e da interação entre eles no carro. Além da aerodinâmica, caixas de marchas, suspensões e motores, outras alternativas são estudadas para melhorar o rendimento dos carros. O desenvolvimento de novos pneus e também de combustíveis podem significar alguns décimos de segundos preciosos.
Muitas regras foram adotadas para limitar a potência dos veículos e aumentar a segurança. Entre as mudanças, algumas limitações foram impostas aos combustíveis e hoje eles são muito semelhantes aos combustíveis encontrados nos postos de todo mundo.
Testes são realizados em parceria com o fabricante de motor para que o binômio motor-combustivel possa render o máximo. Nesse processo são realizados testes de potência e durabilidade em pista e também em dinamômetro.
A gasolina da Fórmula 1
Um dos principais requisitos do combustível de Fórmula 1 é que ele permita obter a maior potência possível do motor. Seria fácil se não houvesse restrições. Entre as restrições impostas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), estão limitações em relação à octanagem, teores de oxigênio e nitrogênio e densidade. A gasolina não pode conter compostos não encontrados nas gasolinas comerciais. Essas exigências estão pautadas nas decisões do Parlamento Europeu para a gasolina comercial produzida desde o ano 2000.
Com tais restrições, tudo indicava que haveria redução na potência dos motores. No entanto, com a diversidade de matérias primas encontradas no parque de refino brasileiro e com o desenvolvimento de modelos matemáticos para a predição da potência e da característica final da gasolina, pode-se preparar um combustível que proporcione aumento de potência para os carros.
As especificações
Até o final dos anos 70, o regulamento prescrevia a utilização de gasolinas de alta octanagem, disponíveis comercialmente na França, Itália, Alemanha e Inglaterra. Era utilizada uma gasolina com RON 101 disponível nos postos europeus, com tolerância de até RON 102. Com a interrupção da comercialização desse tipo de gasolina, permitiu-se que os fornecedores das equipes preparassem combustíveis especiais para a categoria. Assim, passaram a ser mais elaborados e se distanciaram muito da gasolina comercial.
Ao final da década de 80 continuava a limitação de RON 102 e já eram aplicadas limitações para teor de Oxigênio e Nitrogênio (2% em ambos os casos). Com os anos, novos limites foram estabelecidos e outros, como pressão de vapor, densidade, teor de benzeno e chumbo, foram acrescentados. Em 1992, a FIA definiu que qualquer substância encontrada no combustível de Fórmula 1 que não estivesse presente na gasolina comercial poderia caracterizá-lo como ilegal.
Atualmente a FIA adota para a Fórmula 1 as mesmas diretrizes estabelecidas pelo Parlamento Europeu para a gasolina comercial na Europa.
O desenvolvimento da gasolina
A produção se inicia com o objetivo de obter a maior potência possível do motor sem prejuízo de durabilidade e em compromisso com o consumo de combustível. A primeira etapa abrange a utilização de um modelo computacional de predição no qual é alimentado um banco de dados com mais de uma centena de matérias primas, obtendo-se gasolinas experimentais. Este modelo matemático foi desenvolvido utilizando a resposta do motor de Fórmula 1 com diversos tipos diferentes de combustíveis e todas as propriedades físico-químicas das matérias primas.
A utilização dos petróleos nacionais e diversas unidades de processamento das várias refinarias da Petrobras no Brasil e no exterior, possibilita a obtenção de uma extensa gama de matérias primas com potencial para compor gasolina de Fórmula 1. E uma unidade para cortes seletivos de correntes foi implantada na Unidade de Xisto (SIX) em São Mateus do Sul, Paraná.
A segunda etapa consiste em preparar pequenas bateladas dessas gasolinas experimentais e testá-las em laboratório para confirmar o atendimento dos limites de especificação para, então, ensaiá-las em motor e verificar os níveis de potência e consumo. A partir daí, são realizados testes em motores instalados na Petrobras e no fornecedor de motores para se identificar os combustíveis com maiores probabilidades de sucesso nos testes a serem realizados nos motores V8 da escuderia.
Na etapa seguinte, são realizados os testes de durabilidade em dinamômetro e em pista. Definida a composição da gasolina, as matérias primas são enviadas para uma unidade de misturas, onde é preparada a gasolina final. Depois de realizadas diversas análises, uma amostra é enviada para o laboratório da FIA, na Inglaterra, para homologação. Obtida a aprovação, a gasolina é colocada em tambores para utilização em treinos e corridas e enviada em grandes quantidades para o fornecedor de motores.
Normalmente, uma nova batelada é preparada a cada 90 dias e são produzidos ao ano cerca de 300.000 litros de combustíveis para desenvolvimento e uso em treinos e corridas.
Conclusões
O desenvolvimento de gasolina para a Fórmula 1 demanda muitos testes e aplicação de tecnologias avançadas. Praticamente não existe literatura sobre o assunto. Cada companhia mantém em segredo seus desenvolvimentos. As novas tecnologias desenvolvidas e aplicadas para o desenvolvimento de gasolinas de Fórmula 1 têm aplicação imediata no desenvolvimento das gasolinas comerciais e todo o conhecimento adquirido nesse desenvolvimento tem influência nos combustíveis a serem utilizados comercialmente em um futuro próximo.