Desafio Prêmio Petrobras de Tecnologia
Tecnologia de Produtos
Chat
André de Mello Fachetti
21 de maio de 2008
André Fachetti é engenheiro mecânico e coordenador do Programa Tecnológico de Inovação em Combustíveis e Lubrificantes (INOVA) da Petrobras, desde 2005. Ele é responsável pelo suporte técnico para o desenvolvimento de novos produtos.
Atuou durante 15 anos no Laboratório de Motores e cinco anos como gerente de Combustíveis do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), desenvolvendo pesquisas na área de qualidade de combustíveis, com ênfase em gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e biocombustíveis.
Também coordena a Comissão de Combustíveis, Lubrificantes e Aditivos da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
André Fachetti: Boa tarde a todos
Marcia diz: Que tipo de trabalho pode ser inscrito no Prêmio Petrobras de Tecnologia no tema Tecnologia de Produtos?
André Fachetti: Marcia, trabalhos que contribuam para o desenvolvimento de novos produtos - derivados de petróleo e/ou de biomassa, nos aspectos de qualidade, desempenho e emissão de poluentes, visando principalmente a sua inserção no mercado.
Marcinio de Carvalho Junior diz: No carro a gasolina, que é transformado para o álcool, é necessário realmente colocar álcool mais uma porcentagem de gasolina? Por que?
André Fachetti: Marcinio, estou entendendo que a sua pergunta refere-se aos veículos "flex-fuel" que estão ganhando o nosso mercado. Nesse caso o usuário pode escolher se vai usar álcool, gasolina ou qualquer mistura entre os dois. Em alguns modelos, como também nos veículos movidos apenas a álcool, é necessário se colocar uma quantidade adicional de gasolina em um tanque auxiliar, para facilitar a partida a frio do motor.
Nicole diz: Quanto % de álcool é permitido na gasolina?
André Fachetti: Nicole, a legislação brasileira determina que toda a gasolina automotiva tem que ter, em sua composição, um percentual de etanol, que pode variar de 20 a 25%, necessitando, no entanto, que este valor seja definido. No momento o percentual praticado no Brasil é de 25%.
Josete diz: Por que se consegue adulterar a gasolina?
André Fachetti: Josete, a gasolina na verdade é composta por uma série de hidrocarbonetos, que devem atender a uma especificação técnica, ditada no Brasil pela ANP, e regras de tarifação e tributação definidas pelo Governo. As adulterações, normalmente, buscam utilizar componentes que gerem um ganho financeiro para os adulteradores, e se possível não sejam percebidas por fiscalização. Felizmente isso nem sempre é possível e algumas ações já foram tomadas para impedir a adulteração, como por exemplo, o uso de marcadores e a implantação de sistemas de certificação da qualidade em postos de serviços.
José Robson-PE diz: Oléo de cozinha serve para automovéis?
André Fachetti: José Robson, a forma de utilização de óleos vegetais como combustível para motores é através da sua transformação em biodiesel (transformando-se em um éster), ou do seu uso como carga em unidades de refino. O seu uso "in natura", configura-se em adulteração e deve ser evitado já que, além de problemas operacionais, contribui para a emissão de poluentes tóxicos. Talvez o fato de o motor diesel ser "um dos melhores amigos do homem" incentive algumas pessoas a fazerem experiências caseiras.
Taynara diz: Estou no segundo período de engenharia geológica. Gostaria de saber se para desenvolver um projeto, o ideal seria estar em um período mais avançado do curso, onde teoricamente teríamos um melhor embasamento.
André Fachetti: Taynara, não existe regra para isso, mas, obviamente, quanto mais você avançar no seu curso, mais você estará embasada para o desenvolvimento do seu projeto.
Marcos Queiroz diz: André, um tema muito controverso em termos dos biocombustíveis diz respeito a seu impacto na agricultura e no meio ambiente. Os opositores dessa forma alternativa de energia temem a disparada no preço dos alimentos e a devastação de áreas verdes, no que chamam de "Monocultura dos Bios". Não seria então prematuro os investimentos pesados nesse setor diante de tamanha resistência?
André Fachetti: Marcos, realmente você está coberto de razão sobre a controvérsia em torno deste tema. Porém deve ser feita uma avaliação de país para país e considerando o tipo de biocombustível utilizado. No Brasil a área considerada para o plantio de "biocombustíveis" não ameaça as florestas e, no caso específico da cana de açúcar para a produção de etanol, existem vantagens em termo de produtividade e emissão de CO2.
Renata diz: e quanto ao assunto do Biodiesel?
André Fachetti: Renata, o biodiesel no Brasil já está regulamentado, sendo o seu uso obrigatório desde janeiro deste ano, através da adição de 2% em todo o diesel automotivo (B2). Este percentual deve subir para B3 (3% de biodiesel), provavelmente a partir de julho deste ano, e para B5 (5%) em 2010.
José Robson-PE diz: Quais são os processos que uma gasolina tem que passar para ficar boa ou ideal?
André Fachetti: José Robson, a gasolina, como também os outros produtos derivados do petróleo - óleo diesel, querosene de aviação, etc. são decorrentes de diferentes processos dentro de uma refinaria e dependem muito do tipo de petróleo utilizado. Sugiro reapresentar sua pergunta no chat da semana que vem, cujo tema será "tecnologia de refino e petroquímica".
Ana Lúcia diz: Gostaria de saber qual a diferença entre os tipos de gasolinas disponíveis nos postos brasileiros.
André Fachetti: Ana Lúcia, a gasolina comum é o combustível produzido nas refinarias da Petrobras (nesse momento chama-se "Gasolina A"), que recebe, posteriormente, nas companhias distribuidoras a adição obrigatória de 25% de álcool anidro (passando a chamar-se "Gasolina C"). Ela pode receber aditivos para manter o motor limpo e diminuir a formação de depósitos, passando a se chamar Gasolina Aditivada. Eventualmente pode receber um nome fantasia específico, de acordo com a distribuidora. No caso da Petrobras, Gasolina SUPRA.
Já a Gasolina Premium difere da comum por apresentar uma maior octanagem. A Gasolina Petrobras PODIUM enquadra-se na categoria Premium, mas apresenta uma octanagem ainda maior e outros diferenciais de qualidade como um baixo teor de enxofre (30 ppm) e uma alta estabilidade.
José Robson-PE diz: Em questão de qualidade, como você avalia a gasolina vendida no Brasil?
André Fachetti: José Robson, inicialmente valeria a pena dividir a pergunta em duas partes. Uma relativa à gasolina produzida pela Petrobras em suas refinarias, e vendida às companhias distribuidoras, que necessariamente atende a especificação ditada pela ANP, para as categorias Comum e Premium. E outra relativa à gasolina encontrada nos postos de gasolina, que recebem toda a influência da logística de transporte e distribuição, e que necessitam de um sistema de acompanhamento da qualidade para garantir que está adequada. Assim é importante que você, como consumidor, dê preferência a postos de sua confiança.
Romero Meneses diz: Porque o percentual do Biodiesel é tão baixo (5%) até 2010?
André Fachetti: Romero, não é tão baixo não. A preocupação é garantir que a adição do biodiesel não afete o funcionamento do motor. Mesmo assim, está sendo conduzida, no Brasil, uma série de testes de campo, com participação da indústria automobilística, para que este percentual seja aprovado e assim a garantia dos veículos mantida.
Elifeletti diz: Como homem que está ligado à tecnologia, acredita que nosso planeta está caminhando para sua própria destruição? Ou será criado algo, em tempo, para parar essa catástrofe?
André Fachetti: Elifeletti, não estou tão pessimista quanto você. Realmente é necessário que se tomem medidas drásticas para prolongarmos a nossa permanência nesse planeta. Percebo, no entanto, que tanto a consciência humana, quanto a tecnologia, têm caminhado nos últimos tempos de mãos dadas neste sentido.
Valquíria diz: Nos últimos dias saiu em todos os jornais que o álcool teria batido o consumo de gasolina no país. Será que há possibilidade disso ocorrer sempre devido essa grande demanda de carro flex?
André Fachetti: Sim Valquiria, exatamente isso. O aumento do consumo do etanol é decorrente da frota crescente de veículos "flex-fuel", e da atratividade do preço do álcool em relação à gasolina.
Marcos XP Investimen diz: O uso dos biocombustíveis é viavel, sendo que apenas o Brasil segue esse caminho enquanto outros países buscam outras alternativas mais limpas?
André Fachetti: Marcos, não é bem assim. Na verdade existe uma série de tecnologias a serem exploradas, e a solução certamente não será única, e sim uma conjugação das diferentes opções. No caso dos biocombustíveis, não só o Brasil, mas diversos países estudam e praticam o seu uso. O Brasil apenas é o líder mundial no uso de etanol, devido à sua experiência de mais de 30 anos. No caso das outras tecnologias, ou alternativas mais limpas, que você se refere, o Brasil também atua em termos de pesquisa e desenvolvimento. A Petrobras tem uma linha de pesquisa em diferentes tipos de energia, como eólica, solar e também atua no estudo de combustíveis para tecnologias futuras de mobilidade.
Lucas diz: Qual o desafio atual da Petrobras no desenvolvimento de novos produtos?
André Fachetti: Lucas, excelente pergunta. O desafio da Petrobras é antecipar-se às exigências de mercado e identificar necessidades específicas que possam trazer um diferencial de qualidade para o seu portfólio de produtos. Isso sempre com o compromisso de atender a especificação vigente no Brasil.
valquiria diz: Sabemos que há necessidade de sempre criar novas tecnologias para o desenvolvimento e melhoramento dos combustíveis. O que vem sendo feito para que isso ocorra?
André Fachetti: Valquiria, a Petrobras está investindo pesadamente na melhoria da qualidade de seus produtos para o atendimento das futuras exigências de qualidade. Além disso, lançamos no mercado, recentemente, produtos que são referenciais de qualidade dentro do país e mesmo a nível mundial, como a gasolina Podium, o diesel Podium, e o diesel Verana, esse específico para o mercado náutico.
Gelsonóleo diz: O que é número de cetano do óleo diesel?
André Fachetti: Gelson, o número de cetano é a propriedade que mede a qualidade de ignição do óleo diesel e tem influência na partida do motor e no seu funcionamento. Fisicamente se relaciona diretamente com o atraso de ignição do combustível no motor. Quanto maior o número de cetano, menor será o atraso de ignição e poderão ser obtidos benefícios como: combustão mais suave, menos fumaça na partida a frio, menor emissão de poluentes e menos ruído.
André Fachetti: Pessoal, foi um prazer participar deste chat. Lembre-se que a Petrobras através de sua página na internet continua no ar para quaisquer outras dúvidas ou sugestões que apareçam. Um abraço a todos.




