Desafio Prêmio Petrobras de Tecnologia

Tecnologia de Refino e de Petroquímica

Chat

Oscar Chamberlain Pravia e Lam Yiu Lau
28 de maio de 2008

Oscar é engenheiro de processamento e responde pela gerência de Craqueamento Catalítico do Centro de Pesquisas da Petrobras desde 1997.

Fez curso de Gestão Estratégica de P&D no INSEAD, na França, e Gestão Executiva na Kellogg nos Estados Unidos.

Atualmente coordena as redes temáticas de Catálise e de Processos e Produtos para o refino.

Lam é químico e consultor sênior da Gerência de Craqueamento Catalítico do Centro de Pesquisas da Petrobras.

Possui doutorado em Físico Química da Universidade de Standford. Foi professor do IME por 6 anos. É sócio emeritus da Sociedade Brasileira de Catalise.

Atua nos projetos de síntese de zeólitas, produção de olefinas leves e passivação de metais, tendo alguns produtos de pesquisas, já em escala comercial.

  • Oscar e Lam: Boa tarde a todos!

  • Jackeline Cintra diz: Olá, estou iniciando um projeto sobre a hidrogenação de aromáticos no diesel na presença de compostos nitrogenados, cujo objetivo principal é desenvolver catalisadores resistentes à esses compostos. Gostaria de saber qual o grau de importância que existe entre o estudo direcionado à nitrogenados e sulfurados presentes no diesel.

  • Oscar e Lam: Jackeline, o objetivo de melhoria de combustíveis é reduzir nitrogênio e enxofre, sendo que nitrogênio é um veneno para catalisadores de hidrotratamento. O tema redução de enxofre com catalisadores resistentes a nitrogênio é um tema altamente relevante, em especial para as cargas oriundas de petróleos nacionais.

  • Luciana diz: Quais são as técnicas hoje utilizadas para diminuir a emissão de CO2 na atmosfera durante o craqueamento?

  • Oscar e Lam: Luciana, no craqueamento hoje, não são usadas em escala industrial técnica de captura, no entanto a Petrobras está desenvolvendo uma nova tecnologia para captura através da oxicombustão do coque do craqueamento. Uma outra técnica seria através da absorção com aminas, mas apresenta um custo superior.

  • Edvaldo diz: Como a Petrobras define conversão de óleo combustível, mencionada como sugestão para trabalhos?

  • Oscar e Lam: Edvaldo, conversão ou processo de redução de óleo combustível considera o coqueamento retardado, a hidroconversão e o craqueamento catalítico de resíduos. Isto envolve tanto o processo, quanto o catalisador.

  • Luiz Pontes diz: A petroquímica nacional passa por grandes transformações e a participação da Petrobras no segmento é muito importante para que ela ganhe musculatura e possa enfrentar os grandes grupos internacionais. Verifica-se que a Braskem e a DOW estão desenvolvendo a produção de petroquímicos a partir de etanol. Esta tecnologia é muito importante para o Brasil que é grande produtor desta matéria prima. A Petrobras como empresa de energia tem interesse em estudar este processo?

  • Oscar e Lam: Luiz Pontes, a Petrobras detém tecnologia para conversão de etanol para eteno em leito fixo ou no processo de craqueamento catalítico. Temos interesse no desenvolvimento de novas idéias para a melhoria da tecnologia.

  • Catarina diz: Quais são os temas que podem concorrer ao Prêmio Petrobras de Tecnologia na área de Refino e Petroquímica?

  • Oscar e Lam: Catarina, podem participar todos os temas relacionados com o processamento de petróleo e biomassa visando a produção de combustíveis, lubrificantes assim como processos e produtos petroquímicos.

  • Luiz Pontes diz: A isomerização de parafinas é um importante processo para a produção de "gasolina mais limpa" que tenha qualidade (octanagem) e não produza impactos ambientais ou na saúde do frentista/usuário. A Petrobras tem interesse em desenvolver tecnologias junto com a academia para este processo?

  • Oscar e Lam: Luiz Pontes, a isomerização é um processo muito interessante, porém, para o cenário nacional, processos direcionados para a maximização de destilados médios como o diesel de melhor qualidade, atenderão de melhor forma às necessidades da sociedade. O etanol é uma solução presente para a octanagem da gasolina.

  • Julio Macedo (UNIFACS) diz: As zeólitas encontram grande aplicação nas áreas de refino e petroquímica. Atualmente, a literatura tem mostrado que zeólitas com tamanho de cristalito na escala nanométrica apresentam atividade catalítica superior às zeólitas microcristalinas. Como estou desenvolvendo projeto de pesquisa nesta área, gostaria de saber se a Petrobras atualmente estuda os efeitos da redução do tamanho de cristalito de zeólitas e outros catalisadores ou de partículas nanométricas suportadas na atividade, estabilidade e seletividade desses materiais?

  • Oscar e Lam: Julio Macedo, no passado estudamos na Petrobras a síntese de zeólitas de baixo tamanho de cristal. Este assunto é de alto interesse para processos de conversão de resíduos e de biomassa. Os desafios tecnológicos associados a sua aplicação são consideráveis, tais como a sua estabilidade e tratamento posterior. Por isso consideramos um tema bastante estimulante.

  • Luiz Pontes diz: Um grande desafio para as empresas de Petróleo e Refino, hoje, é atender as especificações mais rígidas quanto a contaminantes nos combustíveis, tais como nitrogênio e enxofre. Sabe-se que a legislação brasileira ainda é mais branda que as da Europa e Estados Unidos. A pergunta é: Como a Petrobras pretende atender ao mercado de combustíveis nacional e internacional (exemplo, exportação de gasolina para EUA e UE) no que tange ao teor de enxofre? Quais as soluções tecnológicas e científicas em que a academia poderia colaborar para enfrentar este desafio?

  • Oscar e Lam: Luiz Pontes, as refinarias vão atender os requisitos de qualidade através de processo de hidrotratamento. A nova refinaria Premium atenderá o mercado internacional.

  • Azambuja diz: O Brasil está preparado para passar de importador a exportador de petróleo e derivados no que se refere a qualidade e tecnologia de processos?

  • Oscar e Lam: Azambuja, sim, o Brasil está tecnologicamente preparado e com um plano estratégico agressivo. Inclusive nos posicionamos na liderança mundial em diversos processos.

  • Nelmo diz: No COMPERJ o FCC petroquímico receberá uma carga pré-tratada em HDT e do HCC. Gostaria de saber quais os principais desafios em viabilizar esta unidade, e a qualidade prevista para os derivados médios (faixa do diesel) do FCC petroquímico.

  • Oscar e Lam: Nelmo, o desenvolvimento do processo (equipamentos e condições de operação) e do sistema catalítico foram a chave para este processo de ponta. Os produtos do FCC serão matérias-primas petroquímicas, tais como eteno e propeno.

  • Francisco diz: Os trabalhos submetidos ao prêmio Petrobras de Tecnologia podem ser apenas com base na revisão da literatura, para identificação de proposição de desenvolvimento ou devem ser baseados em trabalho que esteja em andamento?

  • Oscar e Lam: Francisco, a revisão de literatura é o ponto de partida da maioria dos trabalhos, recomendamos que para se candidatar ao prêmio sejam considerados somente trabalhos que estejam em andamento e com alguns resultados.

  • Hellen diz: Gostaria de saber como está a classificação do petróleo brasileiro no âmbito mundial.

  • Oscar e Lam: Hellen, o petróleo brasileiro tem a qualidade do baixo enxofre e o desafio do alto nitrogênio.

  • Janaina diz: De que forma a Petrobras pretende apoiar pesquisas e desenvolvimento nessa área tão interdisciplinar?

  • Oscar e Lam: Janaína, a Petrobras está investindo maciçamente através de várias Redes Temáticas, tais como de Processos e Produtos de Refino, de Catálises, de Combustíveis Limpos e Materiais para Refino entre outras. Buscando não somente soluções inovadoras em cada grupo, mas também sinergia entre eles.

  • Edvaldo diz: Tendo em vista a produção de cana-de-açúcar, etanol, insumos, etc, qual a atuação e importância dos biopolímeros ou polímeros biodegradáveis para a Petrobras?

  • Oscar e Lam: Edvaldo, polímeros biodegradáveis está plenamente alinhado com a estratégia da Petrobras. Buscamos o desenvolvimento de novas tecnologias para a geração de polímeros biodegradáveis e biopolímeros.

  • Edane - UFRN diz: Trabalhos em andamento em parceria com o CENPES, podem ser submetidos ao prêmio?

  • Oscar e Lam: Edane, claro que podem. Inclusive pelo nível de investimento nas universidades brasileiras que a Petrobras está fazendo, esperamos muitos candidatos. Pode contar com o nosso incentivo.

  • Tatiana diz: Aqui na UFPR estamos desenvolvendo um catalisador para a remoção de nitrogênio no diesel, gostaria de saber como a Petrobras vê este tipo de pesquisa.

  • Oscar e Lam: Tatiana, este trabalho está plenamente alinhado com o interesse da Petrobras.

  • Paulo Rocha diz: Diante do quadro hoje de descobertas de reservas naturais de gás e petróleo recém divulgadas, qual o plano de expansão de produção de derivados de petróleo que a Petrobras tem planejado a médio e a longo prazo?

  • Oscar e Lam: Paulo Rocha, o planejamento estratégico atual está em revisão, e aguardamos para breve a divulgação das novas diretrizes.

  • Jomar diz: As zeólitas são objeto de algum tipo de certificação técnica no Brasil? Em caso positivo em que tipo de instituição?

  • Oscar e Lam: Jomar, nos processos de refino ou petroquímica as características são acordadas entre usuário e produtor, não havendo certificação.

  • Edvaldo diz: Pessoal o chat é principalmente para tirar dúvidas em relação aos temas e ao prêmio.

  • Oscar e Lam: Edvaldo, obrigado pelo interesse. Contamos com a sua participação no nosso tema, no próximo Prêmio Petrobras de Tecnologia. As inscrições estão abertas!

  • Edvaldo diz: A Petrobras pesquisa ou já utiliza reatores de fluidos supercríticos em algum segmento ou etapa na obtenção de seus produtos?

  • Oscar e Lam: Edvaldo, a técnica de fluídos supercríticos já foi aplicada para processos de separação, mas consideramos o tema muito interessante para linha de pesquisa.

  • Keka diz: Qual é a diferença em refinar e formular ?

  • Oscar e Lam: Keka, refinar é a etapa de geração de matérias-primas ou produtos que serão utilizados numa formulação. Formular é combinar as diferentes correntes para obter um produto como a Gasolina Podium ou o Diesel Verana.

  • Edvaldo1 diz: Fluídos supercríticos são muito utilizados em extrações e separações, mas também estão sendo utilizados e estudados em meio para reações químicas e polimerizações, contemplando assim o meio ambiente e produtos mais puros. Em qual seguimento seria mais interessante esta aplicação para as pesquisas da Petrobras?

  • Oscar e Lam: Edvaldo, é um tema bastante interessante para a petroquímica.

  • Keka diz: Qual é a expectativa da produção de petróleo no mundo? Ou seja, mais 20 anos e não teremos mais nada a explorar? Ou será que o petróleo realmente será substituído por energia menos poluente, como álcool e etc?

  • Oscar e Lam: Keka, o uso de petróleo deve ultrapassar o final deste século. Desenvolvemos tecnologias sustentáveis para a exploração e para o uso mais racional do petróleo, convivendo num ambiente com outras energias renováveis.

  • Marcinha diz: Como eu poderia saber mais sobre os trabalhos premiados no tema, nas edições anteriores?

  • Oscar e Lam: Marcinha, no site do Prêmio Petrobras de Tecnologia há uma área para cada tema, onde você encontrará os resumos dos trabalhos das edições anteriores.

  • Miriam (UFSCAR) diz: Gostaria de saber quais os tipos de zeólitas que a Petrobras tem interesse ou que já são utilizadas nos processos de refino.

  • Oscar e Lam: Miriam, a Petrobras utiliza atualmente as zeólitas A, X, Y, ZSM5 em grande quantidade. E outras estruturas para aplicações específicas.

  • Oscar e Lam: Amigos, agradecemos a participação e interesse de todos. Esperamos receber muitos trabalhos para esta edição. O conteúdo conciso e inovador pode ser registrado em poucas páginas. Sejam claros e objetivos. Participem!