Desafio Prêmio Petrobras de Tecnologia

Tecnologia de Logística e de Transporte de Petróleo, Gás e Derivados

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Pedro Altoé Ferreira
7 de maio de 2008

Pedro Altoé é engenheiro químico formado na UFRJ, com mestrado em Corrosão (pela COPPE) e especialização em Engenharia de Petróleo pela Petrobras.

Como pesquisador e consultor do Cenpes, desenvolveu projetos de avaliação e controle da corrosão interna de poços, plataformas e dutos de produção e transporte de óleo, gás, derivados e biocombustíveis. Participou de eventos internacionais como (Offshore Technology Conference) e o Joint Industry Projects nos EUA, Inglaterra e Noruega.

Coordena o programa do Cenpes voltado para o desenvolvimento de tecnologias para a área dutoviária e naval, o PROTRAN; é membro no Grupo de Diretores do Pipeline Research Council International (PRCI), nos EUA; e participa de projetos conjuntos com as National Oil Companies (NOCs).

  • Pedro: Boa tarde a todos!

  • Andrade diz: Minha dúvida é a seguinte. Estou desenvolvendo trabalhos na área de corrosão microbiológica (MIC) em juntas soldadas em aço duplex (SAF 2205) e gostaria de saber, se esse é um tema que interessa a companhia? Em qual área você acha que seria mais adequado eu me inscrever para participar do concurso com esse tema?

  • Pedro: Andrade, na área de transporte tem demandas quanto a parte de corrosão microbiológicas (mic) voltadas para a influência dos microorganismos nos parâmetros de proteção catódica para o controle da corrosão externa de dutos construídos em aço carbono. Nossos dutos e os novos usualmente não apresentam juntas soldadas em aço duplex, por isso incentivo você a inscrever algum trabalho voltado para esta demanda.

  • Marcos Queiroz diz: Com a descoberta e iminente exploração de reservatórios em águas ultraprofundas e em camada de pré-sal, como o Campo de Tupi, haverá a clara necessidade do desenvolvimento de novas tecnologias e materiais para dutos, por exemplo. O que se vem realizando, em termos de pesquisa, justamente para superar os obstáculos inerentes as atividades nessas áreas?

  • Pedro: Marcos, sem dúvida teremos necessidades de desenvolver novas tecnologias de materiais para dutos nos campos do pré-sal. Entretanto esta necessidade está mais focada pela produção ser numa área de água ultraprofunda, que piora as condições de corrosividade em função do aumento de pressão, do que pelo reservatório ser localizado numa camada próxima ao pré-sal.

  • Pedro: Marcos, um dos principais obstáculos que iremos perseguir será o desenvolvimento de novos dutos na parte de coleta, que sejam mais resistentes à corrosão interna, em função dos fluídos produzidos e que também sejam mais baratos. Isso será importante face a longa distância dos reservatórios produtores até os pontos de coleta e transferência, onde ficarão alocados os sistemas flutuantes de produção.

  • Rodrigo diz: A corrosão dos reservatórios de tanques ocorre a que porcentagem?

  • Pedro: Rodrigo, não temos um valor de porcentagem definido, mas uma grande maioria de nossos tanques necessita de proteção de corrosão interna. Temos vários projetos desenvolvidos e em desenvolvimento. A maioria focado na validação ou no desenvolvimento de revestimentos internos para tanques de petróleo, nafta e outros derivados. Entretanto incentivo que você e outros colegas estudem o desenvolvimento de revestimento específico para estocagem de biodiesel, que é uma nova fronteira desconhecida para nós e pouco explorada no mercado externo. Outro foco também de grande interesse é o desenvolvimento de revestimentos alternativos de menor custo para tanques de navios para o transporte de etanol.

  • Eng. Carlos Henrique Guilherme Bastos diz: Sou o Engenheiro de Produção Carlos Bastos. Como obtenho informações sobre temas relevantes em transporte/logística dutoviário/marítimo? Como consigo apoio para obter alguns dados/informações/contatos?

  • Pedro: Carlos Henrique, muito interessante a sua pergunta. Como ela é abrangente, vamos por partes. Na parte dutoviária e de tancagem de produtos sugiro você pesquisar no site do Pipeline Research Council International (PRCI). Lá você encontrará um Road Map com os desafios e uma lista de trabalhos já desenvolvidos e em desenvolvimento. Outra fonte alternativa é na APIA (Associação de Pipeline da Austrália). Já na parte marítima sugiro você consultar a UFRJ ou a USP na área de rede naval, que desenvolveram recentemente nas Redes Temáticas da Petrobras um trabalho bem abrangente na parte de benchmark de transporte e construção naval.

  • Stefanio Gomes de Jesus diz: O que poderia solucionar alguns "gargalos" ainda existentes na área de suprimentos na cadeia de transporte?

  • Pedro: Stefanio, ótima pergunta. Como tem sido divulgado nos jornais, o Brasil está tentando recuperar toda sua capacitação na área de construção naval, depois de 20 anos de ociosidade. Um dos gargalos que temos nesta área é o desenvolvimento de uma logística de suprimento de equipamentos e materiais para permitir um reparo mais rápido dos navios que são docados para manutenção. Para se ter uma idéia, devido as condições de nossos diques, apenas 50% da frota Petrobras tem reparo no Brasil. O período de reparo - por falta de termos uma cadeia de suprimento mais bem desenvolvida, inclusive de fornecedores - leva, em conjunto com a falta de tecnologia preditivas de inspeção de equipamentos, a tempos de reparos 3, 4, 5 vezes maior do que o necessário.

  • Vanessa Siqueira diz: Sou aluna de engenharia química e li algumas coisas a respeito da corrosão em tubulações de gás. Gostaria de entender como é detectada a corrosão interna, uma vez que essas tubulações ficam subterrâneas. Abraço.

  • Pedro: Vanessa, a detecção da corrosão interna em gasodutos enterrados é feita por diferentes técnicas. A mais completa é através do uso de PIGs Instrumentados com sensores para detecção de perda de espessura da parede da tubulação. Tais PIGs são lançados no início do duto e percorrem toda sua extensão, quando então, são recolhidos e suas medidas são analisadas. Os seus registros são comparados a espessura original do duto, e assim, conseguimos identificar perdas e a sua posição no duto. Outra técnica, mas esta preventiva, é o uso de provadores intrusivos de corrosão que permitem avaliar a corrosividade do fluído transportado de tempos em tempos, dando-nos a oportunidade de tentarmos controlar a corrosão por meios diversos, ou mesmo, quando suspeitamos que o duto possa estar corroído e tomamos a decisão de correr um PIG Instrumentado.

  • Pamrla diz: Olá, sou estudante de logística, e gostaria de saber até que ponto esta vai ser importante para a área de transporte!

  • Pedro: Pamrla, no mundo de hoje a competitividade nos mercados depende extremamente da logística. Nós no Brasil, temos dentro desta área ligada ao transporte e armazenamento, vários temas que incentivo você e outros colegas a estudarem, pois vão contribuir muito para a Petrobras e o desenvolvimento de nosso país. Como exemplo, temos: Estocagem Subterrânea, Projeto e Avaliação de Rede Logística, Mapa de Custos Integrados e de Tendência, Sistemas de Informação Logística, Gestão de Demanda, Gestão de Risco, Gestão de Suprimento e Modelo de Tarifação.

  • Washington diz: Tem sido muito falado sobre a expansão da malha de gasodutos no Brasil nos próximos cinco anos e nos problemas de fornecimento de gás. Quais são os obstáculos tecnológicos sobre o assunto?

  • Pedro: Washington, muito oportuna a sua pergunta. Um dos desafios que temos nesta área é o desenvolvimento de tecnologias para baratear e acelerar a construção dos novos gasodutos, isto viabilizará o suprimento do gás aos diversos pontos do nosso país. E no prazo mais adequado. Outro ponto de interesse que incentivo você e outros colegas a estudarem é tecnologias de reparo acelerado de gasodutos, cujo objetivo é minimizar a chance de interrupção de fornecimento de gás aos nossos consumidores. Ainda nesta área de gasodutos, temos outros desafios já conhecidos, como o aprimoramento de tecnologias para avaliação e reparo de danos (mossa, corrosão, fadiga, etc.) e sistemas de detecção de vazamentos para gasodutos de grandes comprimentos. Outro tema de grande relevância é o desenvolvimento de materiais alternativos de alta tensão de escoamento para permitir a construção de gasodutos de menor espessura de parede e assim viabilizar, dependendo de outras condições, a construção e, conseqüentemente, o transporte do gás natural através de regiões sem grande infra-estrutura (exemplo: região Norte do país).

  • Dodo diz: O que a Petrobras e outras empresas estão desenvolvendo em termos de tecnologia de transporte que favoreçam a preservação do nosso meio ambiente na área de construção de dutos?

  • Pedro: Dodo, espetacular pergunta. Este tema tem sido de grande discussão na comunidade internacional. Recentemente participei de um fórum em Houston, cujo tema foi exatamente este. Nós da Petrobras estamos provocando, incentivando, que indústria na área de construção de dutos, que domina a tecnologia de perfuração de túneis, nos ajude a desenvolver os dutos "sem faixas". Nossa meta é tentar desenvolver a tecnologia que permita a perfuração e conseqüentemente o lançamento de dutos de até 40 polegadas de diâmetro enterrados a uma distância de 10 ou 20 km, minimizando assim, a sua interferência em áreas ambientalmente sensíveis ou de grande densidade populacional. Qualquer trabalho voltado para este foco será importante para tentarmos alcançar este objetivo.

  • Renata Vaz da Silva diz: Olá! Sou graduanda em Logística e Transportes pela FATEC da Baixada Santista. Meu trabalho de conclusão de curso será voltado ao tema de logística no transporte de gás natural, especificamente nas recentes descobertas ocorridas na Bacia de Santos. Sabemos que, apesar de sermos auto-suficientes em petróleo, ainda somos muito dependentes de países como a Bolívia para suprir nossa demanda em gás natural. Serão feitos investimentos (seja em estudos, em tecnologia) na melhoria da malha dutoviária para crescer nossa oferta nesse mercado? Obrigada!

  • Pedro: Renata, como comentei com o Washington temos várias tecnologias focadas na área dutoviária. Porém, para melhoramos a oferta do gás ao mercado, particularmente com as novas descobertas, estamos procurando alternativas, talvez inéditas, na área de transporte marítimo. A Petrobras está estudando tecnologias que permitam o transporte do gás natural de campos marítimos para o continente pela construção e adaptação de navios especiais que permitam isto de forma rentável e segura. Como exemplo temos hoje, junto com a USP/IPT na rede temática de navios, um projeto para estudar como viabilizar a construção de um navio para o transporte de gás natural comprimido, o que dispensaria o uso de dutos submarinos.

  • Thiago Neves diz: Boa tarde Pedro, tenho visto nos jornais e na net muito se falar que o Brasil poderá ser a Arábia Saudita verde e um dos líderes mundiais no fornecimento de biocombustível. Existe algum gargalo tecnológico na cadeia de transporte que precisamos desenvolver?

  • Pedro: Thiago, muito interessante a sua pergunta. Neste tema, uma tecnologia que precisamos desenvolver é a adaptação de navios de grande porte para o transporte exclusivo de etanol. Incentivo você e outros colegas a desenvolverem estudos neste tema.

  • Pedro: Amigos, foi muito legal estar com vocês esta tarde. Desejo boa sorte a todos! Não deixem de apresentar seus trabalhos. Todo esforço é válido.