1. Introdução
A política de gestão de riscos financeiros tem como filosofia orientar as decisões de transferência de risco e está sustentada em ações estruturais fundamentadas nos processos de disciplina de capital e gestão do endividamento. São elas:
Produzir barato - a disciplina de capital assegura custos competitivos para todos os produtos comercializados;
Níveis de investimentos futuros definidos de forma realista, considerando o equilíbrio entre rentabilidade, crescimento e aderência estratégica da carteira de projetos e a manutenção da liquidez e solvência da Companhia, criando condições necessárias a um crescimento sustentável;>
Gestão prudente do endividamento, buscando o casamento dos fluxos de caixa operacional e das dívidas, incluindo volumes, moedas, duração e indexadores, reduzindo, conseqüentemente, o risco de insolvência.
Outras características importantes da gestão de riscos da Petrobras:
Gestão integrada dos riscos de mercado, que quantifica as exposições totais, observa a existência de hedges naturais e age sobre a exposição líquida da Companhia, evitando ações isoladas das Unidades de Negócio que não contribuam para a otimização dos riscos corporativos;
Respeito aos conceitos de mercado eficiente e diversificação. A Petrobras entende que atua em alguns dos mercados mais líquidos do mundo, em que a possibilidade de previsão sistemática de preços futuros é bastante limitada. Como conseqüência, sua gestão de riscos concentra-se na eliminação de eventos extremos indesejáveis ao invés de minimizar a variância de resultados, fluxo de caixa, etc.;
Alto padrão de transparência nas divulgações das potenciais exposições da Companhia.
2. Avaliação de riscos
A avaliação dos riscos de viabilidade de financiamento do Plano Estratégico da Empresa é realizada pela análise probabilística da projeção do fluxo de caixa da Petrobras para um período de até dois anos. As projeções econômico-financeiras são atualizadas anualmente durante o processo de revisão do planejamento estratégico. O modelo de quantificação de riscos (Cash Flow at Risk ou CFaR) considera as variações dos fatores mais significativos para a geração de caixa: preços, quantidades (produção e mercados), câmbio e juros. Basicamente, saldos de caixa são projetados para uma infinidade de cenários dos principais fatores de risco, utilizando o processo de Simulação de Monte Carlo. A partir daí, identifica-se o saldo de caixa estimado para o grau de confiança pretendido e avaliam-se os períodos em que o caixa pode ficar abaixo do mínimo adequado.
Entre as várias opções que podem ser utilizadas para preservar o saldo mínimo de caixa preestabelecido encontram-se, por exemplo, transações com derivativos, captações adicionais de recursos e otimização da distribuição dos prazos dos desembolsos. Operações com instrumentos derivativos não estão associadas exclusivamente aos processos já citados, mas são também importantes instrumentos na proteção de transações e na compatibilização de ativos e passivos.
Diante disso, a política de gestão de riscos da Petrobras visa contribuir para um balanço adequado entre os seus objetivos de crescimento e retorno e seu nível de exposição a riscos, quer inerentes do próprio exercício das suas atividades, quer decorrentes do contexto em que ela opera, de modo que, através da alocação efetiva dos seus recursos - físicos, financeiros e humanos - a Companhia possa atingir suas metas estratégicas.
3. Gerenciamento de riscos de mercado de petróleo e derivados
No gerenciamento de riscos de mercado de petróleo e derivados, seguindo a premissa de considerar apenas a exposição líquida consolidada do risco de preço de petróleo e derivados, as operações com derivativos, em geral, se limitam a proteger o resultado de transações específicas de curto prazo (até seis meses). Nesses hedges são utilizados contratos futuros, swaps e opções. Essas operações estão sempre atreladas às realizadas no mercado físico. No período de janeiro a dezembro de 2005 foram efetuadas operações de hedge para 23,30% do volume total comercializado (importação e exportação).
Atendendo a condições de negócios específicos, realizamos excepcionalmente uma operação de hedge de longo prazo, ainda ativo, envolvendo a venda de opções de venda de 52 milhões de barris de petróleo WTI, no período de 2004 a 2007. Essa operação visa a estabelecer uma proteção de preço para essa quantidade de petróleo, de forma a garantir aos financiadores do Projeto Barracuda/Caratinga uma margem mínima para cobertura do serviço da dívida. A Petrobras Energía S.A - PESA., controlada indireta da Petrobras, também recorre a instrumentos financeiros derivativos para mitigar a sua exposição ao risco de mercado de petróleo e derivados. Para o período de janeiro a dezembro de 2005 a PESA teve volumes de petróleo cobertos de 7,3 milhões de barris.
4. Gerenciamento de riscos cambiais
Parcela considerável do total da dívida e do fluxo de caixa operacional futuro da Petrobras encontram-se em dólar ou fortemente atrelados ao dólar. Assim sendo, a Companhia não possui uma exposição demasiadamente grande a risco cambial. A utilização de derivativos se limita a reduzir, dependendo de análises específicas, a exposição em relação a outras moedas, como o Euro e o Iene japonês.
A companhia não utiliza atualmente instrumentos financeiros derivativos para gerenciar sua exposição às flutuações das taxas de juros, usados somente por sua controlada indireta Petrobras Energía S.A. (PESA).
5. Gerenciamento de riscos de taxa de juros
O risco da taxa de juros a que a Companhia está exposta depende de sua dívida de longo prazo e, em menor escala, de curto prazo. A dívida a taxas de juros flutuantes de moeda estrangeira est á sujeita principalmente à flutuação da Libor, e a dívida a taxas de juros flutuantes expressa em reais está sujeita principalmente à taxa de juros de longo prazo (TJLP), divulgada pelo Banco Central do Brasil. A Companhia atualmente não utiliza instrumentos financeiros derivativos para gerenciar sua exposição às flutuações das taxas de juros. A única exceção é a sua controlada indireta Petrobras Energía Participaciones S.A. (Pepsa), que utiliza diversos instrumentos financeiros derivativos para reduzir certas exposições associadas à volatilidade das taxas de juros.
Instrumentos derivativos
A Companhia utiliza instrumentos derivativos e não derivativos para implementar sua estratégia global de gerenciamento de riscos. Ao usá-los, entretanto, expõe-se a riscos de crédito e de mercado. Riscos de crédito consistem no não cumprimento dos termos do contrato derivativo por uma contraparte. Riscos de mercado representam o efeito adverso sobre o valor de um instrumento financeiro, que resulta de uma alteração nas taxas de juros, nas taxas cambiais ou nos preços das mercadorias. A Petrobras monitora os riscos de crédito, limitando as contrapartidas a instrumentos financeiros derivativos de instituições financeiras de primeira linha. Os riscos de mercado são gerenciados pelos diretores da Companhia. A Empresa não mantém nem emite instrumentos financeiros para fins comerciais.
6. Gerenciamento de risco de crédito
O risco de crédito é avaliado através de um novo sistema de análise de crédito, denominado Credit Flow, e foram criadas duas Comissões de Crédito: a de Abastecimento e a de Gás Natural e Energia. Tais comissões são fóruns em que se discutem os diversos aspectos relativos à concessão e à administração do crédito.
7. Seguros
Em 2005, a companhia aumentou o prêmio final pago pelas principais apólices – incêndio vultoso/riscos operacionais, riscos de petróleo e riscos nomeados. O prêmio passou de US$ 25,2 milhões, em 2004, para US$ 29,3 milhões, com elevação de 16%. Entretanto, no período, o valor dos ativos segurados subiu 23%, tendo passado de US$ 26,6 bilhões para US$ 32,6 bilhões.
A maior parte do risco da Petrobras encontra-se ressegurada no mercado internacional. Desse modo, a Companhia mantém, no País e no exterior, uma política permanente de divulgação da qualidade e das práticas de gestão de risco. Informações relevantes como sinistros, suas causas e melhorias introduzidas são transmitidas com rapidez e transparência ao mercado segurador.
Por seus investimentos em Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) e em Qualidade, a Petrobras, a exemplo de outras grandes empresas de petróleo, assume parcela expressiva de seu risco, inclusive por meio do aumento de franquias, que podem atingir US$ 40 milhões. Em decorrência dessa política, a Empresa não contrata, para atividades domésticas, seguros de lucro cessante. Nessa linha a Petrobras não faz seguro de controle de poço, nem da malha de dutos.
As instalações são regularmente inspecionadas por empresas independentes e os resultados e as ações desenvolvidas para atender às recomendações são divulgados ao mercado. Plataformas, refinarias e outras instalações são cobertas por apólices de incêndio vultoso/riscos operacionais e de riscos de petróleo. A movimentação de cargas está protegida por apólices de transporte e as embarcações, por apólice de casco e máquinas. A responsabilidade civil e os riscos ambientais, conforme o caso, têm cobertura de uma ou mais apólices. Projetos e instalações em construção são segurados contra riscos de engenharia mediante apólice contratada pela Petrobras ou pelas empreiteiras.
Para efeito de seguro, os ativos da companhia são avaliados tendo em vista o custo de reposição, calculado pela Petrobras e/ou por sociedades classificadoras. Estipulado o dano máximo provável em cada instalação, ele serve de base para a fixação do limite máximo de indenização da apólice de incêndio vultoso/riscos operacionais, hoje de US$ 720 milhões.
A maioria das atividades no exterior é segurada ou ressegurada pela Bear Insurance Co. Ltda. Seguradora cativa, com sede em Bermuda, a Bear não retém risco, repassando-o integralmente ao mercado.
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