Senhores acionistas,
A
Petrobras atua de forma integrada, de acordo com os objetivos
e as diretrizes do seu Planejamento Estratégico, tendo em vista
alcançar as metas estabelecidas. A visão predominante
para os seus investimentos é a de longo prazo, procurando superar
as restrições de curto prazo com criatividade, flexibilidade
e adaptabilidade.
Em quatro décadas e meia de atuação, conforme
a política nacional e a orientação governamental,
emanada de seu maior acionista o Governo Federal , a
Companhia implementou a indústria do petróleo no País
e impulsionou a implantação de setores industriais,
como o petroquímico, tornou-se líder no competitivo
mercado da distribuição de derivados, desenvolveu a
mais avançada tecnologia em prospecção e produção
de petróleo e gás natural em águas profundas
e alcançou autonomia tecnológica nos demais segmentos
da indústria petrolífera. Simultaneamente, vem proporcionando
uma ampla variedade de benefícios regionais associados à
sua atuação em todo o território nacional.
A Petrobras possui expressivo potencial de crescimento com base na
sua carteira de projetos, em implantação e planejados,
enquanto seu parque industrial, combinado a uma eficiente logística
comercial, proporciona o suprimento do mercado nacional de combustíveis
de forma adequada.
Esses aspectos relevantes permitiram que a Companhia se posicionasse,
na mais recente classificação da renomada Petroleum
Intelligence Weekly, como a 14» maior empresa de petróleo do
mundo e a sétima maior entre as empresas de petróleo
de capital aberto.
Em 1998, a Companhia prosseguiu atuando no novo cenário de
competição instituído no País pela Lei
n° 9.478, de agosto de 1997, que regulamentou a emenda constitucional
de flexibilização do monopólio estatal de petróleo
no Brasil.
Nesse mesmo exercício, a Agência Nacional do Petróleo
(ANP) definiu as áreas de exploração e de desenvolvimento
da produção de petróleo concedidas à Companhia
e confirmou a titularidade sobre as suas instalações
de refino, de transporte e de tancagem.
No segmento de exploração e produção,
a Petrobras estruturou os financiamentos, na forma de parcerias (project
financing), nos quais o pagamento dos investimentos ocorrerá
com a receita futura desses projetos, para os campos de Bijupirá/Salema,
Barracuda/Caratinga, Espadarte/Voador/Marimbá, Marlim e Albacora,
na Bacia de Campos, num montante total equivalente a US$ 6,3 bilhões.
Visando antecipar as atividades programadas, a Companhia vem negociando
com os financiadores a liberação de empréstimos-ponte
(bridge-loan), tendo sido aprovados, em 1998, os referentes aos projetos
de Espadarte/Voador/Marimbá, no valor de US$ 300 milhões,
de Barracuda/Caratinga, também de US$ 300 milhões, e
de Marlim, no valor de R$ 200 milhões. Ainda naquele ano, a
Companhia iniciou os estudos para o financiamento para o campo gigante
de Roncador, atualmente em fase piloto de produção,
na Bacia
de Campos.
Em uma outra frente de negócios, a Petrobras firmou sete acordos
de parceria, envolvendo investimentos de US$ 334 milhões, para
o desenvolvimento de blocos de exploração, em terra
e no mar, nos estados do Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Rio
Grande do Norte e Ceará. Para 1999, espera assinar novos acordos,
abrangendo principalmente as bacias de Campos e de Santos, nos estados
do Rio de Janeiro e de São Paulo, respectivamente.
A concorrência impõe o desenvolvimento da atuação
em novos negócios que venham a agregar maior valor ao petróleo
e ao gás natural produzidos. Assim, a Companhia vem conduzindo
ou participando de projetos termoelétricos de co-geração
e de geração de energia elétrica, predominantemente
junto a suas unidades industriais, utilizando gás natural ou
resíduos do refino, associando-se à iniciativa privada
em novos empreendimentos petroquímicos no País e em
oportunidades de negócios em telecomunicações,
por intermédio do lançamento de cabos de fibra óptica
ao longo de sua rede de dutos. A participação da Petrobras
nesses empreendimentos é sempre minoritária e de acordo
com a Lei n° 9.478/97.
A expansão e a adaptação do refino continuaram
voltadas para atender ao crescimento da demanda dos mercados de derivados
de petróleo e de gás natural, nas dimensões quantitativa
e qualitativa, e tendo em vista a competitividade no País.
O gás natural é prioridade da Companhia, e, em 1998,
continuou sendo realizado intenso trabalho no sentido de garantir
o aumento da oferta interna, de prosseguir e concluir novos gasodutos
de transporte, como o importante Gasoduto Bolívia-Brasil
o maior empreendimento do gênero na América Latina ,
os gasodutos Urucu-Coari, na Amazônia, e os gasodutos Guamaré-Pecém
e Pilar-Cabo, na Região Nordeste.
Cabe ressaltar as negociações para a estruturação
financeira do Projeto Cabiúnas, no estado do Rio de Janeiro,
que possibilitará maior aproveitamento do gás natural
da Bacia de Campos, compreendendo instalações de processamento
e dutos terrestres, inclusive para o transporte do gás para
Vitória, no Espírito Santo. Em 1998, foi concluída
a negociação de empréstimo-ponte no valor de
US$ 30 milhões, destinado ao início desse projeto.
Na área administrativa, procurou-se consolidar, no exercício,
a racionalização e a integração da estrutura
organizacional da Companhia, aperfeiçoar a capacitação
dos recursos humanos e aprimorar os relacionamentos institucionais
nas áreas governamental e privada. Prosseguiram, também,
os programas relacionados ao meio ambiente, qualidade e segurança
industrial, visando assegurar níveis de desempenho mais elevados
nessas dimensões empresariais, e os programas de comunicação
empresarial e marketing institucional, divulgando e fortalecendo a
Companhia junto à sociedade.
O Projeto Centros de Excelência, que possibilita à Petrobras
parcerias estratégicas com contornos amplos, envolvendo órgãos
governamentais, universidades, empresas e instituições
nacionais e internacionais, cresceu em importância com o início
das atividades do Centro de Excelência em Tecnologias de Engenharia
de Poços.
As subsidiárias continuaram a contribuir para o fortalecimento
da atuação da Petrobras no País e no exterior,
tendo iniciado suas atividades a Petrobras Gás S.A. (Gaspetro),
responsável pela viabilização de projetos e negócios
na área do gás natural, e a Petrobras Transporte S.A.
(Transpetro), que atuará no transporte e armazenagem de granéis,
petróleo, derivados e gás natural.
O relacionamento efetivo da Petrobras com seus acionistas e a transparência
das informações ao mercado de capitais foram reconhecidos
por meio da concessão do Prêmio Mauá 97, consolidando
a credibilidade da Companhia junto ao mercado e à opinião
pública.
Dessa forma, 1998 foi um ano de êxito ainda maior para a Petrobras.
Contando com o apoio e a orientação do acionista majoritário
o Governo Federal , a competência, o entusiasmo
e a dedicação de todos os empregados, a Administração
Superior da Companhia apresenta com satisfação os resultados
do trabalho realizado e prossegue confiante no brilho futuro da maior
empresa do nosso país.
Joel Mendes Rennó
Presidente

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