Caracterização do Setor Petróleo

Mercado Internacional de Petróleo e Gás Natural


Em 1998, o petróleo e o gás praticamente mantiveram suas participações no consumo mundial de energia primária comercial, em 39% e 24%, respectivamente.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo mundial de petróleo atingiu 74,3 milhões de barris por dia (bpd), com um incremento de 0,8% em relação a 1997. No período anual anterior (1996-97), o consumo apresentou aumento de 2,6%. Esse resultado reflete, basicamente, o agravamento da crise econômica e financeira no Sudeste Asiático, bem como a eclosão da crise na Rússia, que afetou também a América Latina. No Japão e na Coréia do Sul, dois importantes países consumidores, houve, inclusive, uma redução da demanda.

Os esforços dos principais países exportadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e não-Opep na redução da produção não foram suficientes para reverter o predomínio de uma situação de excesso de oferta e estoques elevados de petróleo no mercado internacional em relação à demanda. Em conseqüência, os preços do petróleo tiveram uma queda abrupta. A média do custo do óleo Brent ficou em US$ 12,74/barril, cerca de 33% menor do que a de 1997.

Esse comportamento dos preços conduziu a indústria do petróleo a ajustes nos seus orçamentos, ao redirecionamento dos investimentos para áreas de melhor relação risco versus retorno e à redução dos preços de equipamentos e serviços. Fato também marcante foi a intensificação das fusões, aquisições e alianças estratégicas entre companhias, principalmente as megafusões da British Petroleum com a Amoco, e da Exxon com a Mobil, no segundo semestre do ano, com o objetivo de obter ganhos em escala, maior competitividade, sinergias operacionais e consolidação de estratégias regionais.

Na atividade de refino, prevaleceu o excesso de capacidade e margens reduzidas nas três principais regiões consumidoras (Estados Unidos, Europa e Ásia). O excesso de capacidade foi mais acentuado na Europa, e as menores margens ocorreram na Ásia.

O mercado de gás natural mostrou ligeira contração em 1998, como reflexo, principalmente, da demanda na Ásia, onde se concentram grandes produtores, consumidores, exportadores e importadores. Vários projetos de gasodutos da região foram postergados, entre eles os que ligam a Indonésia aos demais países do Sudeste Asiático. Entretanto, continuaram em desenvolvimento os projetos de gás natural liquefeito (GNL) de países do Oriente Médio (Catar e Omã), voltados para o atendimento a determinados mercados com contratos firmes de longo prazo – especialmente a Índia (geração elétrica).

Na Europa, entraram em funcionamento os gasodutos Norfra, entre a Noruega e a França, e Interconnector, ligando a Inglaterra à Bélgica. Na África, teve continuidade o desenvolvimento do complexo de liquefação de gás na Nigéria, voltado para a exportação de GNL. Na América do Norte, o processo de desregulamentação do setor elétrico nos Estados Unidos, que se segue ao da indústria de gás, firmou a tendência de maior incremento da demanda de gás em comparação com a de outros energéticos nesse setor.

Na América Latina, foi aprovada a construção do Gasoducto del Sur, que ligará Buenos Aires e Montevidéu, e concluída a instalação da primeira fase do Gasoduto Bolívia-Brasil.